segunda-feira, fevereiro 20

AS GRANDE SENHORAS: Syn, A Guardiã e Defensora.



Como seu nome significava "negação, recusa", Syn era a guardiã das entradas do palácio celeste Fensalir, negando passagem àqueles que não tinham permissão ou merecimento para entrar. Syn, portanto, era reverenciada como a protetora das fronteiras e as defensoras dos limites, pessoais, familiares e sagrados.
Outra função de Syn era no domínio público, participando das decisões das assembleias Thing, as reuniões anuais feitas durante o verão escandinavo, abertas a todos os homens livres e adultos. Nessas reuniões eram promulgadas leis, pronunciadas sentenças, resolvidas disputas, enunciados conselhos para defender aqueles que foram prejudicados ou para estabelecer e defender limites. Cada distrito tinha sua própria assembleia, além de existir uma maior, do pais. As leis nórdicas eram transmitidas oralmente, cada ano, pelos membros mais idosos e eram redigidas de tal forma para facilitar a memorização, combinando lei, poesia e magia. Não havia distinção entre leis civis e criminais, as queixas eram apresentadas por indivíduos ou famílias e implicavam em algum tipo de ressarcimento, em função da gravidade do delito.

A atuação de Syn era na defesa dos acusados, protegendo as pessoas de acusações injustas e julgamentos errôneos e presidindo os juramentos; quando alguém se declarava inocente usava a expressão: "Syn está presente". Nos tempos antigos uma acusação feita de maneira formal e correta era suficiente para manchar a honra e prejudicar a sorte do acusado, obrigado a se defender com a ajuda da lei. Se ele não fosse capaz de negar a acusação - pelo seu juramento ou das testemunhas - era considerado culpado. A acusação permitia a manifestação da culpa, mas somente o juramento podia mostrar se era correta. Syn, assim como Tyr, Thor, Ullr e Var, são divindades que presidem os juramentos e compromissos; mas enquanto os deuses representam os valores e conceitos sociais, Syn defende o indivíduo, mas somente se ele for acusado injustamente. Os realmente culpados já perderam a honra e a sorte pelas suas próprias ações erradas.
À primeira vista parece que há uma discrepância entre a função de Syn como guardiã das entradas e sua posição como deusa dos juramentos nas reuniões das assembleias. Porém, esta duplicidade de funções pode ser compreendida sabendo que a mais temida punição na sociedade nórdica era o exílio, que isolava o indivíduo da sua família e clã, deixando-o desprotegido e afastado dos espíritos ancestrais e do poder da coletividade, a célula mater dos povos nórdicos.
Syn era invocada para proteger e defender qualquer pessoa acusada injustamente, seja no nível pessoal, seja no plano social ou legal, desde que não fosse culpada ou tivesse prestado um falso juramento. Syn também podia ser invocada para a proteção das moradias, na bênção de mudança de casa ou na inauguração de uma construção, para consagrar ou proteger um lugar sagrado (neste caso, junto com o deus Heimdall; o guardião da ponde Bifrost, que permitia a passagem para o mundo divino). Eça era descrita como uma mulher sábia, vestida com uma túnica violeta e usando uma tiara; nas mãos segurava uma chave, um bastão inscrito com unas e um escuto ou uma vassourinha de galhos de bétula, portas das casas, dos locais das assembleias e dos encontros comunitários.
Syn era a defensora dos limites físicos (das casas, dos locais públicos, dos veículos) pessoais ou coletivos (no nível psíquico, energético e mental). Sua proteção no mundo exterior era concedida, desde que aqueles que pedissem, tivessem comportamento idônico e cumprissem os votos e juramentos assumidos, em relação a si, aos outros e à sociedade como um todo.

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