domingo, março 25

Yggdrasil, a Árvore Cósmica.



"Conheço um freixo chamado Yggdrasil,
uma árvore imensa em meio a bruma branca,
dela escorre o orvalho que cai nos vales.
Firme, mantém-se sempre verde
acima da sagrada fonte de Udhr."
"Völuspa" Poetic Edda.


Na mitologia nórdica, Yggdrasil ou (nórdico antigo: Yggdrasill) é uma árvore colossal (algumas fontes dizem que é um freixo, outras que é um teixo), na mitologia nórdica, que era o eixo do mundo.
Localizada no centro do universo ligava os nove mundos da cosmologia nórdica, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, fincavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.
Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de valquírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la. Nas lendas nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.
Os nove mundos contidos na Yggdrasil são:
  • Midgard, o mundo dos homens. É representado por Jera, a runa do ciclo anual;
  • Asgard, o mundo dos Aesir. É representado por Gebo, a runa da troca;
  • Vanaheim, o mundo dos Vanir. É representado por Ingwaz, a runa da semente;
  • Helheim, o mundo dos mortos. É representado por Hagalaz, a runa do granizo;
  • Svartalfheim, o mundo dos anões ou elfos escuros. É representado por Elhaz, a runa do teixo;
  • Ljusalfheim, o mundo dos elfos de luz. É representado por Dagaz, a runa do dia;
  • Jotunheim, o mundo dos gigantes. É representado por Nauthiz, a runa da necessidade;
  • Niflheim, o mundo de gelo eterno. É representado por Isa, a runa do gelo;
  • Muspelheim, o mundo de fogo. É representado por Sowilo, a runa do sol.

O conceito de uma "Árvore da Vida ou do Mundo", de um "Eixo, Coluna ou Pilar Cósmico", existiam em diversas culturas e religiões antigas e era uma imagem mítica muito antiga, dominante na Europa e Ásia, encontrada nos mitos escandinavos, bálticos, germânicos, fino-úgricos e celtas. Nas tradições xamânicas de várias tribos siberianas (samoiedos, iacutos, tungues, tártaros, turcos ibéricos, eslavos e celtas), é comum a representação de uma árvore que liga o céu e a terra - temos essa representação também, na historia infantil, "João e o Pé-de-Feijão" -, e o mundo subterrâneo e que serve como uma escada ou ponte entre diversos mundos. Esses mundos ou planos sutis (dos deuses, seres sobrenaturais, ancestrais, espíritos e homens) podiam ser alcançados pelos xamãs em estado alterado de consciência ou pelos sentitivos em projeção ou desdobramento astral. A função da arvore era ligar o céu e a terra, a águia celeste à serpente telúrica. Por ser uma imagem de "outro mundo" além do tempo e do espaço, não se podem definir os detalhes da localização exata, nem os termos racionais de direção e distancia. 
Os xamãs eram treinados para se "deslocar" em viagens astrais para outra realidades ou mundos, desdobramento descrito de forma metafórica como uma "subida" feita por degraus cortados no tronco de uma escada ou ponte, levados por um pássaro totêmico ou aliado. Nessa jornada, eles podiam atravessar portais, perambular por vários mundos, ascender ao mundo divino ou descer até o reino dos mortos, seus ancestrais.
Yggdrasil era descrita como uma imensa árvore (freixo ou teixo [explicado acima]) cujos galhos se estendiam sob a terra e alcançavam o céu. Seu tronco era sustentado por três raízes, uma chegando até o mundo dos deuses Aesir, outra até a morada dos gigantes de gelo e a terceira penetrando no reino dos mortos, regido pela deusa Hel (como um presente de Odin). A visualização linear das três raízes é difícil, mas ela é metafórica, representando as três fontes de poder e origem de Yggdrasil: o mundo superior, mediano e subterrâneo. O topo da árvore, chamado Lerad (doador da paz) sombreava o salão de Odin, enquanto o restante dos galhos cobria o mundo.
No poema "Völluspa", a vidente (völva ou vala) enumera nove mundo intercalados no espaço, em vários níveis e separados por montanhas, desertos desolados pelo frio e a escuridão, rios, vales e pontes, a mais famosa sendo a do Arco-Íris, BIFROST ou ASABRU, que ligava o céu e a terra e parecia uma estrutura metálica brilhando nos matizes do arco-íris. As outras pontes podiam ser frágeis e suspensas sobre abismos, finas como a lâmina da espada (que exigia um poder sobrenatural de quem tentasse atravessá-la) ou resistente como a Gjallarbru, a "ponte do eco", que levava ao reino da deusa Hel.



Bifrost era constituída de fogo, água e ar e servia de passagem para as divindades que se deslocavam de Asgard (sua morada), para Midgard e os outros mundos, com exceção de Thor, proibido de atravessá-la para não provocar sua queda com seus passos pesados e seus gritos trovejantes. Bifrost - talvez originalmente a Via Láctea - era guardada pelo deus Heimdall, dono de uma espada resplandecente, dotado de uma visão e audição extraordinária e cuja corneta iria anunciar o início do Ragnarök e a destruição da ponte pelos gigantes de fogo. Na ponte Bifrost havia um portal chamado Helgrind ou Valgrind, que separava o plano dos vivos do reino dos mortos e que se abria para a passagem dos xamãs nos seus deslocamentos, bem como para o retorno dos mortos que visitavam Midgard em datas especias.
Em uma gruta, na proximidade da nascente, escondia-se o aterrorizador dragão Nidhogg, que roia incessantemente a raiz da árvore, ajudando nessa tarefa destruidora por inúmeras criaturas peçonhentas (serpentes, répteis ou dragões), a derrubada de Yggdrasil sendo o sinal pra o fim dos deuses e a destruição dos mundos. As forças destrutivas visavam a exterminação da Árvore da vida, na tentativa de impedir o nascimento de novos mundos e espécies, enquanto a fonte de Hvergelmir simbolizava o cerne dos processos de geração e a energia de expansão.
Vários animais habitavam entre as folhagens e nos galhos de Yggdrasil, alguns deles citados também nos mitos de outras culturas, como a iraniana, mesopotâmica, siberiana ou dos nativos da Indonésia (citados anteriormente). No topo da árvore ficava Aar, uma águia, que tudo enxergava e cujo bater das asas causava os ventos e em cuja testa se apoiava um falcão, que lhe servia de mensageiro. existiam uma inimizade perpétua entre a águia e o dragão Niddhog e um esquilo - Ratatosk -, que corria para cima e para baixo da árvore, levando mensagens, possivelmente hostis, tentado acirrar a disputa entre eles.
O significado do nome de Yggdrasil é objeto de controvérsias. A interpretação mais comum é como "cavalo de Ygg", sendo Ygg usado como um dos nomes de Odin e uma referência à sua autoimolação. "Cavalgar a força" era uma expressão familiar nas línguas arcaicas (noruega e inglesa) e equivalente a "morrer enforcado". Outros nomes de Yggdrasil eram:

  • Leradr - Abrigo.
  • Hoddmimir - Tesouro de Mimir.
  • Mimameidr - Pilar de Mimir.
Nomes que reforçam o simbolismo de proteção, sustentação e nutrição da árvore.
Na conversão para o cristianismo, a imagem da Árvore do Mundo nórdica foi substituída pela cruz cristã; originalmente existia um simbolismo oculto da Árvore do Conhecimento do Jardim do Éden, que personificava a dualidade do bem e do mal, mas ela foi depois transformada em símbolo de sofrimento e dor, pela transgressão de Eva ao comer os seus frutos proibidos.


5 comentários:

  1. acredita que somos como essas árvores só que de uma forma ambulante?

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  2. Essa arvore e real se voce observar o desenho q a materia escura faz ligado todo o universo parece uma arvore... bem interessante!

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  3. Sim, existe essa metáfora do homem como árvore. Uma não anula a outra, são representações do microcosmo (cada pessoa) e do macrocosmo (o cosmos).

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  4. e o mundo monstro do my singing monsters

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