segunda-feira, março 19

Aegir (Ägir, Eagor, Gymir, Hler), Aquele que preparava o hidromel.


Além de Njord e Mimir, que representavam o mar próximo à terra e a força dos oceanos primordial, os povos nórdicos reverenciavam o regente das águas profundas dos mares, chamado Aegir, ou Hler, cujo poder tanto podia beneficiar, quanto prejudicar os seres humanos. Semelhante ao deus grego, Posêidon, ele controlava os ventos e as ondas e aparecia nos mitos como uma força destruidora, nomeada "as mandíbulas de Aegir", descrevendo assim a perda de vidas humanas nas tempestades e afogamentos. Os piratas saxões e os navegadores vikings lhe ofertavam seus prisioneiros atirando um décimo deles no mar para obter benevolência e proteção para suas viagens.
Acredita-se que Aegir (mar) - junto com seus irmãos Kari (ar) e Loge (fogo) - pertencia a uma dinastia divina mais antiga, pois eles não se enquadra nem entre os deuses, sejam eles Aesir ou Vanir, nem entre os gigantes. No entanto, os nomes das suas nove filhas, as Donzelas das Ondas, são típicas das gigantes de Gjalp (a que uiva) e Greip (a que abocanha). O culto de Aegir, e de sua esposa Ran, era muito antigo e ele era respeitado e temido pelos navegadores e pescadores nórdicos, pois dele dependiam sua sobrevivência e o sucesso das suas viagens e expedições.
Aegir era descrito como um velho rigoroso, com barbas e cabelos brancos, olhos penetrantes e mãos fortes com dedos em forma de garras. Assim como Ran ele usava uma rede para recolher os afogados e as riquezas de seus navios naufragados. Dizia-se que todos aqueles que levavam consigo pepitas ou moedas de outro desfrutavam da sua hospitalidade - regada a hidromel - no seu palácio no fundo do mar. Quando ele aparecia durante as tempestades, seu único objetivo era perseguir e virar os navios, arrastando-os depois para a sua morada, onde se apossava de todos os tesouros e objetos valiosos, o ouro sendo considerado o "fogo de Aegir". Para os anglo-saxões Aegir era conhecido como Eagor, que saudavam a cada onda gigante; seus outros nomes eram Hler (aquele que abriga) e Gymir (o que esconde), por ocultar coisas nas profundezas do seu reino e não revelar segredos. Devido à aparecia espumante das ondas, o mar era chamado de "caldeirão borbulhante de Aegir" e o navio como o "Cavalo de Aegir".
O Caldeirão era o objeto mágico de Aegir, onde ele preparava o hidromel para as festas das divindades, considerado também o receptáculo arcaico da criação, transmutação e destruição da vida. Seus auxiliares eram Elde e Fungeng, emblemas da fosforescência e mutabilidade do mar. Às vezes, Aegir saia do seu reino para visitar os deuses em Asgard, sendo bem recebidos e entretido pelas aventuras e conquistas dos deuses contados pelo inspirado Bragi. Para retribuir a hospitalidade Aegir decidiu preparar uma grande celebração da colheita, descrita a seguir:

O Caldeirão de Aegir.

Surpreendidos com o convite inesperado, os deuses lembraram a Aegir, que estavam acostumados a comer e beber abundantemente. Aegir assegurou que  comida não iria faltar, mas confessou que seu caldeirão era pequeno para preparar o hidromel necessário. Imediatamente Thor, o mais guloso, se ofereceu a buscar outro caldeirão maior e junto com Tyr se deslocaram para leste do rio Elivagar, na carruagem de Thor. Sabendo que o gigante Hymir possuía um imenso caldeirão, decidiram pernoitar na sua casa esperando a sua volta. Preocupada com a segurança dos visitantes, a velha giganta os recebeu - e que era a avó de Tyr - sugeriu que eles se escondessem atrás de uns caldeirões, sabendo que seu marido, Hymir, era violento e impulsivo.
Quando Hymir chegou e soube da visita recebida, ficou tão irritado, que ao olhar para o esconderijo dos deuses, espatifou os caldeirões com seu olhar com exceção do maior. Porém com a insistência da giganta, ela concordou em preparar o jantar para os visitantes, sem, no entanto conhecer sua identidade.
A partir desse ponto em diante o mito segue o relato da "pescaria de Thor", mas com um final diferente. Depois da tentativa frustada de pescar a Serpente do Mundo, Thor voltou junto com o gigante para sua casa, onde foi por ele desafiado para um teste de força, cujo objetivo era a quebra de um enorme vaso.
Apesar de Thor tê-lo arremessado contra os pilares e paredes da casa várias vezes, o vaso permaneceu intacto. Seguindo um conselho sussurrado pela avó de Tyr, Thor de repente jogou o vaso na cabeça do gigante, o único substrato mais duro do que o vaso, que foi assim despedaçado. Vendo a força de Thor, Hymir concordou em dar-lhe o caldeirão almejado pelos deuses, mais foi apenas com o esforço conjunto de Tyr e Thor que eles conseguiram levantar do chão. Assim que eles saíram da casa de Hymir, ele convocou seus irmãos para seguirem e matarem os deuses, mas quando Thor percebeu que estavam sendo perseguidos, jogou seu Martelo Mágico e matou todos os gigantes. Triunfantes, os deuses entregaram o enorme caldeirão a Aegir, que se tornou assim responsável por preparar o hidromel e fornecê-lo sempre aos deuses. Nas festas das colheitas, Aegir os recebia nas suas cavernas de corais e lhes oferecia as melhores iguarias do mar, regadas com o hidromel, o elixir sagrado e "nectar dos deuses"



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